Hoje em dia já existem veículos que se movimentam sozinhos, maçãs que nunca ficam podres e drones que mapeiam o mundo. Através do meu celular, posso pagar contas, alugar meu apartamento, comprar um almoço e encontrar um namorado. E tenho até mesmo a opção de comprar um robô que faça minhas tarefas domésticas.

Os avanços tecnológicos oferecem opções infinitas ao consumidor, mas como tecnologias como a inteligência artificial influenciam as perspectivas de trabalho daqueles que atualmente estão fazendo um curso médio ou superior? E, além disso, o que devem fazer as instituições de capacitação profissional para não ficar para trás?  

Os governos, as grandes empresas e a sociedade civil nos países desenvolvidos dedicam cada vez mais tempo e recursos a analisar cenários para responder a essas perguntas e se planejar de forma mais adequada para o futuro.

O modelo norte-americano

Em 2012, por exemplo, o governo dos Estados Unidos lançou a meta de formar 1 milhão de jovens em ciências, tecnologia, engenharia e matemática, carreiras conhecidas como STEM (por causa de suas siglas em inglês). O objetivo era preencher as vagas de emprego nessas áreas até 2022. Esses jovens seriam os desenvolvedores web, engenheiros nucleares, químicos ou especialistas em mudança climática do futuro.

Dados da agência de estatísticas de trabalho dos EUA apontam que, de 164 milhões de postos de trabalho em 2020, 9,2 milhões se enquadram como STEM, dos quais 4,6 milhões estão relacionados à informática e 200 mil especificamente ao desenvolvimento de softwares.

As vantagens para investir em carreiras STEM são claras. Em 2013, um salário médio na área STEM ficava ao redor de U$ 76 mil, duas vezes mais do que trabalhos em outras áreas, sendo a carreira de engenharia a com a melhor remuneração.

A meta dos Estados Unidos era desenvolver habilidades STEM na sua juventude para criar vagas de trabalho e assegurar a competitividade da economia nacional. O presidente da nação ficou sabendo, então, que para manter a liderança econômica e tecnológica teria que cobrir essa lacuna.

O desafio da América Latina

Ocorre que na América Latina e Caribe o investimento em pesquisa é dez vezes menor que nos Estados Unidos. Essa disparidade, que se reflete na formação dos jovens, também pode ser sentida no nível de produção científica. Se não formos precavidos, isso pode se tornar um obstáculo para o desenvolvimento da região.

Estão as instituições da América Latina e Caribe prontas para que a tecnologia esteja presente em toda a linha de produção de bens e serviços?

O iniciativa NEO

Para enfrentar esse desafio, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) juntou-se a mil empresas e 200 ONGs na América Latian e Caribe em 12 países da região, desde a República Dominicana até o Paraguai, passando por México, El Salvador, Peru e Colômbia.

Em uma região onde mais de 20 milhões de jovens não estudam nem trabalham e muitas empresas não encontram mão de obra qualificada, a iniciativa NEO propõe melhorar as oportunidades de trabalho para 1 milhão de jovens até 2022. Cerca de 75% desse total irá se formar em carreiras STEM. Metade do total será composto por mulheres.

O NEO tenta gerar um maior valor agregado nos setores mais dinâmicos de cada economia da região que tenha vantagens comparativas, como os setores de logística e portos. Esse é o caso de Urabá, uma região de maioria afrodescendente na Colômbia que foi duramente afetada por mais de 50 anos de conflito armado.

O diálogo entre empresas, governos e instituições educacionais é fundamental para identificar as necessidades de mão de obra das empresas com as prioridades educativas e assim fechar a lacuna que existe entre as habilidades dos jovens e a demanda por pessoal qualificado.

Nesses tempos em que a tecnologia promove mudanças em uma velocidade vertiginosa, a flexibilidade das instituições é uma característica fundamental para que a formação dos jovens esteja à altura das mudanças.

No México a Fundação Panamericana de Desenvolvimento da OEA promove a formação STEM entre garotas e povos indígenas. Na República Dominicana, graças ao programa República Digital, busca-se incorporar a robótica educativa a 500 centros educativos até 2020, assim como capacitar mais de 900 professores nas áreas de ciência, matemática e tecnologia.

Além da tecnologia

Mas isso não é tudo. Além de aliar tecnologia e educação para proporcionar um futuro mais promissos a nossos jovens, é necessário melhorar a qualidade da educação, desenvolver competências-chave, como as sócio-emocionais e fomentar experiências em empresas mais do que nas salas de aula.

Se olharmos para o que nos espera, se conseguirmos entender os riscos e incertezas e identificar os problemas e oportunidades, podemos tomar decisões mais precisas, que nos ajudarão a ser uma região mais igualitária, próspera e feliz.