O primeiro trimestre de 2017 será marcado pelo início da recuperação econômica. Depois de oito trimestres consecutivos de retração, ao longo de todo 2015 e todo 2016, finalmente a economia brasileira começa a dar sinais de crescimento. No PIB do primeiro trimestre, que será divulgado no início de junho, veremos um crescimento disseminado, liderado pelo setor agropecuário.

Ao longo dos últimos dois anos a crise foi severa. Não somente por sua longa duração, mas principalmente pela grande magnitude. Neste período, a economia brasileira recuou pouco mais de 8%. Do lado da oferta de bens e serviços, observamos recuo ao redor de 15% na indústria de transformação, que já vinha em crise desde meados de 2011, de 12% na construção civil e de 15% no comércio. Do lado da demanda, o consumo das famílias caiu pouco menos de 10% e os investimentos, 23%. A crise aumentou o número de desempregados de 6,5 milhões ao final de 2014 para os atuais 14 milhões.

A recuperação econômica não será rápida como foi em outros momentos. Mas, interromper a retração e iniciar um processo de aumento de produção, mesmo que gradual, é um alento. E é isso o que mostram os dados do primeiro trimestre de 2017. A produção industrial do primeiro trimestre, por exemplo, cresceu 0,7% em relação ao último trimestre de 2016, com destaque para o aumento da produção de bens de consumo, que cresceu 1,6% no período. É ainda uma recuperação tímida frente a toda queda observada nos últimos anos, mas é o início de um processo.

“A agropecuária é o setor que mais deve contribuir para o processo de retomada, apesar do pequeno peso no PIB. Mas há que considerar que este setor alavanca outros, como a indústria de alimentos e parte relevante do setor de serviços”

A agropecuária, em função da supersafra de grãos que será colhida este ano, é o setor que mais deve contribuir para o processo de retomada, apesar do pequeno peso no PIB. Mas há que considerar que este setor alavanca outros, como a indústria de alimentos e parte relevante do setor de serviços, com destaque para transportes.

Do lado da demanda, é o consumo das famílias que deve dar maior impulso ao crescimento. No curto prazo, apesar do alto desemprego, já se observa algum aumento de renda real, sobretudo pela queda da inflação. A liberação de recursos de contas inativas do FGTS também tem uma contribuição importante, sobretudo no segundo trimestre. O crédito ainda não tem dado sua contribuição, mas parece ser apenas uma questão de tempo a atual redução da Selic chegar com mais força nesse mercado, atuando também sobre os spreads bancários, que seguem demasiadamente elevados.

Vale destacar que a continuidade deste processo de recuperação econômica depende sobretudo da continuidade dos ajustes econômicos feitos pelo governo, especialmente os ajustes no campo fiscal. Foram eles que permitiram a queda dos juros e a retomada da confiança. A aprovação da reforma da previdência é fundamental neste contexto, para seguirmos um processo de recuperação econômica, que não será intenso nem linear, mas que enfim começou a ocorrer.

Juan Jensen - Doutor em economia pela USP, sócio da 4E Consultoria e professor do Insper (jensen@4econsultoria.com.br)