Definitivamente, o ano de 2017 tem um cenário econômico incerto. Especialistas fazem projeções distintas o tempo todo, o que nos leva a olhar para o mercado com a certeza de que a saída é vender ativos e fazer caixa. O cenário mais triste é a ruína das indústrias e empresas, que estão sem condições de sair a campo em busca de mais crédito para salvar o seu negócio. Afinal, como fazer isso em uma economia em recessão? Seguimos... Na onda do fechamento e enxugamento de companhias, os advogados que cuidam de falências extrajudiciais estão faturando.

As vendas de ativos são inevitáveis e o país abre, portanto, as portas ao mercado externo. É necessário, sempre foi e historicamente houve certa resistência – legislações nada confortáveis ao investidor não ajudam. Isso tem sido discutido, mas só. O último pacote de incentivo à economia anunciado pelo presidente Michel Temer (PMDB), até o fechamento desta edição, foi tímido e nada colabora para a vinda desses investidores.

Enxergamos fatos concretos de estatais vendendo ativos e saindo de mercados porque não conseguem suportar o tamanho que suas operações ganharam com o tempo e com a crise. Casos como: Eletrobras e Petrobras.

É certo que seus atuais presidentes estão em fase de reestruturação, assim como as empreiteiras que encheram o nosso país de vergonha ao se curvarem ao modelo nada ético de trabalhar – na base de lobby, doações clandestinas para campanhas eleitorais e propinas a políticos. Esses fatos ainda vão causar um bom estrago em 2017.

As mesmas grandes empreiteiras que se esforçam para voltar ao mercado vão conseguir. Para tal, as piores delações estão sendo levadas a público, assim como os acordos de leniência, que as coloca de volta no rol de empresas idôneas e prontas para entrar em novas concorrências. Aguarda-se a manifestação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki sobre toda documentação dos 77 executivos da Odebrecht.

Apesar disso tudo, é preciso separar a Lava Jato do trabalho que o Congresso precisa continuar fazendo. Entre tantas conjecturas, no momento de começar a debater o quadro eleitoral de 2018, o que se espera é que o governo compreenda a urgência de medidas que ajudem o empresário. Eles pedem socorro, ou vão vender tudo. Não se pode trabalhar com pequenas agendas positivas. O sistema tributário precisa mudar, e já, entre outros tantos itens que não se restringem à estabilização das contas do governo, leia-se PEC 241 e Reforma da Previdência.

Oremos.