O acompanhamento do noticiário econômico traz um misto de sensações. Do lado racional, os relatórios trazem a percepção de que o país chegou ao fundo do poço e foi sugado por outro buraco, o famoso alçapão que vem depois do fim de tudo, ou seja, o próximo passo é ser sugado para cima. Do lado passional, é pura tristeza. O desemprego assola o país, com mais de 13 milhões de pessoas sem carteira assinada – uma parte está na informalidade e outra abriu o seu próprio negócio, mas é uma pequena parcela desses milhões todos nas ruas.

São muitas histórias de mães, pais, avós e filhos sem trabalho. As pessoas estão mais sensíveis a doenças psíquicas, menos dispostas, com medo de serem vencidas pelo cansaço. Isso tudo pode causar certo comodismo, despertar aquela ideia de fazer um curso deixado para trás ou empreender, de fato.

Quem se fixou no seu posto provavelmente encontra-se assoberbado (sem generalizar) – atua em várias frentes e precisa se reinventar diariamente para não ser alçado pelo desânimo. Não existem perspectivas ideais, na maior parte dos segmentos, para aquele plano de carreira prometido na empresa, aquela promoção ou o aumento de salário anualmente concedido por filosofia da companhia.

"De modo quase geral, é possível dizer que o empresário luta muito. Com isso, o mesmo empresário castiga, necessariamente, quem está embaixo. A culpa é de quem? Afinal, é melhor estar empregado. O ciclo é vicioso e não há remédio"

Os tempos mudaram. A ideia é que a produtividade aumente, não no mesmo ritmo que os demais benefícios – aliás, benefícios estão cada vez mais escassos. Nesse sentido, a terceirização do trabalho, que passou no Congresso, pode trazer efeitos positivos. Basicamente, o governo regulamenta uma situação que hoje não existe, sob a égide da lei.

Até quando? Não se sabe. É importante fomentar debates sobre o futuro das profissões, como a de jornalista, tão rebaixada com o passar do tempo e que ainda vive as transformações tecnológicas das mídias. O capital intelectual é necessário para a humanidade, mas em que momento da história recente se viu tanto silêncio em torno da importância intelectual e tanto barulho para os novos modelos, simples e eficazes da publicidade? Isto é para citar um exemplo básico, de um segmento que sangra.

De modo quase geral, é possível dizer que o empresário luta muito. Com isso, o mesmo empresário castiga, necessariamente, quem está embaixo. A culpa é de quem? Afinal, é melhor estar empregado. O ciclo é vicioso e não há remédio.

O tempo, a tolerância e a resiliência parecem as únicas armas. Resistir é preciso. A frase “o mercado está fechado e difícil” é a que mais ecoa por aí. É gente de todo tipo se apropriando desses termos para argumentar sobre qualquer tentativa de contraponto. É tudo isso, sim. Mas vai passar. Tenhamos fé. Oremos.

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A AméricaEconomia dá boas-vindas ao especialista Jorge Pinheiro Machado, que inaugura a Página Verde, um espaço para opinião sobre sustentabilidade.