Quando perguntamos o motivo da brutal carga tributária que insiste em andar na contramão da produtividade brasileira e afrontar o pão nosso de cada dia, a resposta que encontramos é tão simples quanto rasa: ela é necessária para a manutenção do país em todos os termos, para sumarizar.

Mas não há tributação suficiente para ajudar uma nação em crise. Nada a estranhar. A construção do sistema tributário brasileiro se deu em torno de pilares como a necessidade da redistribuição da renda, o que não está ocorrendo de modo eficaz. Tirar o Brasil da miséria significou oferecer recursos financeiros para pessoas pobres. As mesmas pessoas pobres continuam pobres e hoje temos uma taxa de desemprego absurdamente descontrolada, sem data para reversão.

As mesmas pessoas pobres continuam pobres e hoje temos uma taxa de desemprego absurdamente descontrolada, sem data para reversão.

Por que, apesar da alta carga tributária, chamamos a atenção de muitos investidores? Rentabilidade a curto e longo prazo, além de garantias razoáveis. Por que o país não simplifica as taxas de tributação e equilibra impostos estaduais, criando linhas únicas? Força política e dicotomia geográfica, eis os motivos. O emaranhado de tributos, assim como a extensa papelada, atrapalha o empresário local, que, apesar de cansado, insiste. Isso sem contar com os novos empreendedores, que surgiram na onda do desemprego. O índice de empreendedorismo é o maior em 14 anos no Brasil, que aparece entre os países líderes nesse critério.

Excelente notícia, em tempos de delação premiada, prisões, mortes e ódio. Isso sem contar com o início do mandato de Donald Trump, que em nada deve alterar a economia dos países da América Latina, com exceção do México – ainda uma grande incógnita. Mas é possível imaginar Trump destilando sua raiva aos mexicanos, que têm muitos méritos, é preciso dizer. O México deve passar o Canadá em importação dos EUA. Trump parece um cão raivoso. Se morde, é outra história.

Voltando ao problema tributário. O Paraguai, que está no nosso quintal, é um exemplo entre as economias latino-americanas em busca de parcerias privadas sustentadas em políticas fiscais – o Brasil, com toda a sua robustez, parece incapaz de abrir as próprias portas, diferentemente do vizinho, que exibe bons números em taxa de crescimento e PIB. O Peru não foge à regra, mas deve perder 1% do seu PIB em 2017 como consequência de obras não honradas pela Odebrecht na área de gás. A taxa de crescimento do Paraguai, na linha dos 4%, é de causar inveja.

Esses são temas abordados nesta edição: o Paraguai que ninguém enxerga, o empreendedorismo brasileiro, o mundo com Trump como presidente americano e também o ranking dos ministros de Finanças da América Latina, que aponta o dedo para os melhores, colocando o peruano em primeiro lugar e Henrique Meirelles em uma posição nada confortável – 14º lugar. Apesar de não triunfar como o brasileiro gostaria, Meirelles foi avaliado em um curto período e em uma economia em estágio de quase morte. Deu para compreender. E por falar em quase morte: oremos.

Bruna Lencioni - Editora-chefe da revista AméricaEconomia Brasil