"Você está demitido!"
Esta frase, imortalizada em um reality show apresentado pelo atual presidente dos Estados Unidos, é o pesadelo de muitas pessoas. Só no Brasil, nos últimos anos, mais de 12 milhões ouviram esta temida frase. É quase impossível não conhecer alguém que perdeu o emprego recentemente.

A crise econômica e política no Brasil são mais duradouras do que se imaginava. A lenta recuperação da economia, a imagem cada vez mais arranhada dos homens públicos e o grande número de desempregados são fatores que contribuem para que se instaure um cenário de pessimismo em relação ao futuro.

Uma das consequências do medo exagerado é que ele ocupa o pensamento o tempo todo, podendo tornar-se quase uma espécie de paranoia. O medo não pode paralisar a pessoa.

Esse clima de constante instabilidade afeta também as pessoas que estão empregadas. Muita gente vive apreensiva, com medo de que a qualquer momento pertença à lamentável estatística dos sem emprego. Segundo uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada nos primeiros dias de 2017, o índice de medo do desemprego chegou a 64,8 pontos em dezembro de 2016. (O índice varia de 0 a 100 pontos).

De cada dez funcionários, seis estão com medo de serem demitidos. Como o gestor deve lidar com os colaboradores que temem ser dispensados?

O gestor deve agir com transparência. Se a lisura é uma característica importante em todos os momentos, em períodos de crise ela é indispensável.  Mas esta clareza deve ser usada para acalmar os ânimos de quem continua empregado. Devem-se relatar as dificuldades deste período de turbulência, mas, sobretudo, deve-se ressaltar o empenho em manter os colaboradores atuando na empresa. Uma palavra sincera e otimista do líder serve para aliviar todo o desgaste emocional provocado pela ansiedade quanto ao futuro profissional.

Já os colaboradores também devem ficar atentos em relação ao medo da demissão. Obviamente, sentir medo é algo natural em momentos tão complexos como os que estamos vivendo. O risco está em permitir que esse temor de perder o emprego ganhe uma dimensão desproporcional.

Uma das consequências do medo exagerado é que ele ocupa o pensamento o tempo todo, podendo tornar-se quase uma espécie de paranoia. O medo não pode paralisar a pessoa. A mente ocupada em 100% com um assunto perderá o foco na realização das tarefas do trabalho. Uma pessoa sem foco tem sua produtividade afetada e uma queda de rendimento é um dos fatores que podem fazer alguém ser forte candidato à demissão. É irônico, mas o medo de ser demitido, quando não controlado, pode ser um dos fatores que causam a demissão.

O controle emocional exerce um papel fundamental para lidar com a apreensão.  Selecionar os pensamentos que ocupam a mente é um dos pilares do equilíbrio de um indivíduo. O psicólogo americano Aaron Beck, um dos fundadores da terapia cognitivo-comportamental, tem uma frase lapidar sobre a importância dos pensamentos: “A forma como pensamos influencia a maneira como sentimos.  Portanto, mudar o modo como pensamos pode mudar como nos sentimos”. Não permita que seus pensamentos sejam seus inimigos.

Torço para que muito em breve o Brasil volte a crescer e a frase “você está demitido” seja apenas um bordão de um programa televisivo.