Os produtores rurais brasileiros estão colhendo mais uma safra recorde de grãos, que deve superar 210 milhões de toneladas.

Também teremos uma boa colheita de cana-de-açúcar e grande produção de carnes, bovina, de aves e de suínos. E não será ruim a safra nas culturas permanentes principais, café e laranja. São Pedro tem sido generoso até aqui.

Como sempre acontece com altos volumes de produção, os preços caem, de modo que a renda do agropecuarista varia pouco: no ano passado tivemos preços ótimos de milho e soja porque o El Niño fez um estrago na produtividade destes grãos no norte do país. Em compensação, ficou caro produzir frangos e porcos. Já neste ano será barato aumentar a oferta destas carnes, muito demandadas nos mercados interno e externo.

É sempre assim, os diferentes agentes econômicos, os elos das cadeias produtivas, não auferem renda equilibrada: quando está bom para um, fica ruim para o outro, e vice-versa.

Mesmo assim, as safras aumentam ano após ano, empurradas por dois fatores centrais: uma tecnologia tropical sustentável admirada no mundo todo e mercados crescentes nos países emergentes, nos quais as populações e a renda per capita crescem mais que nos ricos. E nem se pode negar que algumas políticas públicas ao longo dos anos foram também favoráveis: aumentou o volume de recursos para o crédito rural, o Moderfrota financiou com vantagens a renovação do parque motomecanizado no campo, os novos papéis de comercialização negociados também em bolsa, as modernas legislações sobre transgênicos e orgânicos; enfim, tivemos empurrões esporádicos por parte do governo.

“Hoje, mais da metade do valor de nossas exportações está centrada em três produtos: soja, açúcar e carnes. É fundamental diversificar essa pauta, com efetiva promoção comercial”

Todavia, há alguns temas que precisam ser melhorados. Entre eles está a necessidade de uma infraestrutura logística que permita maior competitividade dos nossos produtores, depois que o produto sai das fazendas. Precisamos de um seguro rural digno do vigor de nosso agronegócio, que garanta renda estável, inclusive eliminando os desequilíbrios referidos acima. Precisamos de acordos bilaterais com grandes países consumidores com agregação de valor às matérias-primas. Hoje, mais da metade do valor de nossas exportações está centrada em três produtos: soja, açúcar e carnes. É fundamental diversificar essa pauta, com efetiva promoção comercial. E, sobretudo, manter a sustentabilidade da atividade, fator determinante da competitividade, com maciços investimentos em tecnologia.

Podemos crescer muito mais, trazendo empregos, riqueza e renda para todos os brasileiros, além de fazer de nosso país o campeão mundial da segurança alimentar.

Roberto Rodrigues – Coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, Embaixador Especial da FAO para as Cooperativas e Presidente do Lide Agronegócio