Compliance é a palavra da vez para companhias que buscam crescimento e confiança no mercado. Programas que regulamentem e fiscalizem a conduta e boas práticas com base na lei não só são bem vistos por parceiros comerciais e consumidores, mas têm se tornado fundamentais para atrair recursos, como a concessão de crédito e empréstimos. Por exemplo, o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) passou, recentemente, a conceder empréstimos apenas a empresas que assinarem um termo anticorrupção, comprovando que não há irregularidades em suas operações. Caso essas companhias identifiquem problemas após o empréstimo, a empresa deve comunicar imediatamente ao Banco para evitar o vencimento antecipado das dívidas e suspensão do financiamento. 

Cada vez mais instituições passarão a ver o compliance não como diferencial, mas como uma exigência. Essa mudança faz todo sentido, em um momento em que transparência e governança definem a confiança em uma companhia. Prova disso é a criação do programa “Empresa Pró-Ética” pela Controladoria Geral da União e a norma ISO 19600, diretriz que visa auxiliar empresas a expandir o gerenciamento de conformidade. A tendência é que governos e empresas redobrem a fiscalização de irregularidades ao contratar serviços, e a opinião pública seja mais influente e a população, mais consciente e participativa. Esse comportamento já é observado em grandes marcas, que optam por parceiras comerciais que possuam programas anticorrupção. 

Cada organização é um ambiente único e possui particularidades que devem ser observadas na implementação das práticas de conformidade. Assim, não há um modelo de compliance a ser seguido. Implantá-lo exige um planejamento estratégico e o desafio é mapear os riscos e identificar as vulnerabilidades nas operações. Com as informações corretas, investimentos e gastos desnecessários podem ser evitados. Compliance não significa controlar fisicamente todas as movimentações e comunicações: isso demandaria recursos com sistemas e pessoal especializado, o que não é viável para grande parte das empresas. Atitudes simples, como adotar um sistema capaz de registrar e reportar transações financeiras e trocas de informações, além de rastrear e restringir o acesso a documentos com conteúdo crítico, já são suficientes para coibir práticas ilícitas em alguns modelos de negócios.

"Cada organização é um ambiente único e possui particularidades que devem ser observadas na implementação das práticas de conformidade"

Embora não haja retorno financeiro imediato, políticas de compliance beneficiam desde grandes empresas tradicionais a startups em consolidação, com a construção de uma imagem sólida e respeitada no mercado a longo prazo. Um programa de conformidade, quando bem planejado, ajuda a atrair investidores e parceiros para novos negócios e projetos, e pode ser a diferença entre fechar um negócio e perder dinheiro. Na outra ponta, o consumidor confia mais em empresas que preservam a integridade em todas as etapas da operação e mantêm um histórico limpo.

Já é possível afirmar que, em um futuro próximo, o compliance seja automaticamente parte da estrutura de negócio de qualquer companhia, desde o planejamento até a consolidação do projeto. A tendência é que as normas de conformidade se tornem tão importantes e tão expressivas quanto as normas fiscais e trabalhistas. Em pouco tempo, a cultura do compliance estará estabelecida e isso é um grande benefício para empresas, governos e pessoas. 

Claudio Yamashita - Country manager da Intralinks no Brasil