“Eu estou muito cansado. Não está sendo fácil. Tenho acumulado funções. Estou sobrecarregado”.

Tenho ouvido estas frases com muita frequência. Dos empresários e de seus colaboradores. É bem verdade que a situação econômica do Brasil exigiu que se fizessem ajustes bem contundentes nas empresas e que a consequência disso é um inevitável aumento de atribuições aos funcionários e empresários.

Identifico, porém, que a tão propagada sobrecarga tem uma origem mais profunda do que o mero excesso de atividades. É uma questão ligada à competência.

“Pessoas que não são reconhecidas, que estão alocadas nos lugares errados, serão infelizes, pouco produtivas e se sentirão mais cansadas e desmotivadas”

Competência é a soma de conhecimento e comportamento. Geralmente as empresas admitem um colaborador pelo seu conhecimento e o demitem pelos seus comportamentos.

A sobrecarga de trabalho geralmente é resultado da falta de: conhecimento, comportamento ou de ambos.

A questão é: como lidar com funcionários que estão sobrecarregados? O empregador precisa responder às fundamentais perguntas a seguir:
Os funcionários têm o conhecimento para fazer o que se espera de cada um deles?
Os funcionários têm o comportamento necessário para desempenhar suas funções?
A montagem das equipes está correta? Houve a verificação que cada um na equipe possui a competência necessária para um bom desempenho?
O perfil dos diretores e gestores possui a indispensável característica que costumamos chamar de liderança?
Como está o moral do time?
Como fluem as comunicações dentro da minha empresa?
Qual a quantidade de retrabalho que tenho na minha empresa?
Qual o turnover da minha empresa e onde ele está mais localizado?

Como a questão tem dois lados, o colaborador deve ficar atento às seguintes indagações:  
Recebi as orientações e treinamento necessários para um bom desempenho?
Como é executado o trabalho em equipe na minha empresa?
Como são as comunicações que faço com meus pares/subordinados/líderes?
Quantos dos meus valores estão alinhados com os valores da empresa em que trabalho?
Como sou tratado na minha empresa?
Estou feliz com meu emprego atual?
Quanto contribuo para o sucesso e o resultado da empresa, onde passo a maior parte do meu dia?
Se eu fosse demitido, voltaria a trabalhar novamente nessa empresa?

Normalmente, após esses questionamentos, as conclusões são: 
“Se eu gosto da minha empresa e estou feliz, eu não me sinto sobrecarregado, pois sou reconhecido pelo que faço”.
“Se tenho as competências que o meu cargo demanda, a empresa irá crescer mesmo em situações de retração de mercado e de crise”.

E o inverso também é verdadeiro. Pessoas que não são reconhecidas, que estão alocadas nos lugares errados, serão infelizes, pouco produtivas e se sentirão mais cansadas e desmotivadas.

As dificuldades econômicas do nosso país podem trazer um sentimento de cansaço maior do que o normal, por isso, é sempre bom nos motivar com as esperançosas palavras da magistral Cora Coralina: “É que tem mais chão nos meus olhos do que cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça”.

Que assim seja!

Elmano Nigri - Presidente da consultoria Arquitetura Humana